Cuidado com o que pede...


Típico do ser humano é reclamar do que não tem. Quem tem cabelo liso queria tê-lo enrolado e vice-versa. Quem é alta queria ser mais baixa pra poder usar salto, quem é baixa queria ser alta pra jogar vôlei. Quem tem um (a) namorado (a) carinhoso (a) e dedicado (a) queria que ele (a) fosse mais independente. Enfim, a grama do vizinho sempre é mais verde.

O problema crucial, eu acho, nem está em reclamar; eu, por exemplo, passo a vida fazendo isso. Reclamo até da minha sombra, por puro hábito. O problema é quando você encasqueta com alguma coisa que, sabe-se lá porque, inventou que quer muito. Sabe? Aquele cara gato, inteligente, sarado, que fala três idiomas, conserta seu micro e leva café na cama. Aquela mina gostosa, cheia das curvas, que não se atrasa pra se arrumar, tem uma mãe que é uma santa e é ninfomaníaca. O homem ou a mulher ideal! E se ele (a) aparece na sua vida? Já parou pra pensar se você é macho (e aqui uso o termo de forma unissex, conheço algumas mulheres mais machas que a maioria dos homens - e sem perder a feminilidade, o que as torna ainda mais machas) pra aguentar o rojão? Ou será que vai sair correndo como um maricas, sem saber o que fazer com aquilo tudo?

Dá medo. Eu sei exatamente o pavor que dá. Quando de repente a vida começa a fazer tudo aquilo que você quer, por mais impossível que pudesse parecer, dá um pânico absoluto - porque a gente acostuma com o contrário. E aí começa tudo a engrenar, você encontra o homem (a mulher) da sua vida, pinta aquela oportunidade de emprego inacreditável, ganha uma causa que já parecia perdida e sua conta bancária sai do vermelho... Ooooowwwww, peraí, como assim? Que que houve?

A maioria das pessoas que conheço encara isso com o pensamento do "eu não mereço", mesmo que inconscientemente. Aí olham ressabiadas e se perguntam quando (e de onde) virá a rasteira. Sim, porque a vida, fdp como é, só pode estar brincando com você, oferecendo com uma mão pra tirar com a outra. Não pode ser sério isso.

Mãe, o que que eu faço?!

É, amigo, sua mãe provavelmente não vai te salvar. Ela pode ter até umas sugestões pra te dar, mas não vai passar daí. Não adianta ficar sonhando com uma BMW se você sequer tem carteira de motorista. Vai fazer o que? Posar com ela pra foto e colocar no Orkut?

Antes de desejar alguma coisa, primeiro saiba o que quer fazer com ela. Porque você quer aquilo. E, principalmente, se você tem (perdoem-me a má expressão) culhão pra encará-la. Se não souber a resposta pra essas questões, nem tenta. Porque a vida pode ouvir, te dar o que você quer e lá na frente, quando você realmente estaria preparado pra receber, vai botar a mão na cabeça e perguntar: "Mas que merda eu fiz?!"

O branco


Quem nunca empacou diante de um texto, que atire a primeira pedra.

Se você é um ser que atravessou os duros anos da graduação, é quase impossível que nunca tenha vivido a cena: Você lá, tarde da noite, com uma folha em branco (de word ou de papel mesmo) na frente, refletindo exatamente o que se passava em seu cérebro. Se tentou se arriscar além da graduação, pior ainda. As exigências só aumentam, as limitações também, e o desespero, idem. Se nunca passou por isso, parabéns. Garanto que a imensa maioria dos mortais (acadêmicos) passou - e passa.

É claro que na graduação você ainda tenta driblar aqui e ali. Dependendo do curso, da disciplina e, principalmente, do professor, um Ctrl C + Ctrl V salva muitas vidas (crianças, não façam isso. É feio - eu sei porque já fiz a rodo). Mas vai tentar fazer isso num mestrado - não vou nem citar o doutorado. NÃO DÁ. Os caras parece que têm uma biblioteca digital, uma central de dados virtual ou coisa que o valha dentro da cabeça, ali, bem ao alcance da mão. Ou dos olhos, no caso. Eles batem o olho e TÁ LÁ. As coisas saltam, tipo o John Nash do filme Uma Mente Brilhante, saca? Por isso, esqueçam. Ctrl C + Ctrl V, aqui, só com referências bibliográficas. E é melhor que sejam boas e justificáveis.

E então você se vê sentado, diante do computador (ou do papel, whatever), tentando espremer o cérebro pra ver se sai alguma coisa. Cada frase é quase uma dor do parto (homens, considerem como um chute no saco). Bons tempos em que pra fazer uma prova você só tinha que decorar um questionário, hein?

E daí que esse texto vai ficar por aqui mesmo. Justamente porque estou num momento Omo - branco total.

Sexo frágil


Ok, eu li esse texto e foi inevitável reproduzi-lo aqui. HOMENS, viram como é simples?? Agora imprimam isso e carreguem no bolso, para eventuais dúvidas. As mulheres agradecem.

Sobre Homens Marlboro

Ah... Os Homens Marlboro... Não os que fumam... Aqueles que "sobem ao cavalo"... Que te deixam no ponto... Apagam os incêndios... Te botam fogo... Te olham a alma... Pegam no colo... Despem o corpo... Não enchem o saco... Prometem e cumprem... Tão seguros... Tão distantes... Tão próximos...

Homens de atitude são raros. E seriam os mais simples. Ontem, algumas amigas chegaram a cogitar a criação de um manual para lidar com as ditas pessoas do sexo frágil. Nós. Cogito, sinceramente, que os homens viraram o sexo frágil. Nunca sabem como lidar, como agir, quando vir, quando ir embora. Não têm a sensibilidade de saber quando estamos a fim e quando deixamos de estar. Parece que teremos que usar camisetas explicativas: não estou mais a fim; não estou te dando mole; quero você; estou apaixonada; eu vi que isto é mentira.

Então, ficam algumas dicas básicas, em tópicos. Só não desenho, porque o blog não permite. Try it, babies! ;)

* Não minta, a menos que possa sustentar a mentira sob todas as condições. Nós podemos não contar pra vocês, mas nós percebemos tudo e isto ofende nossa inteligência. Para mentir é preciso mais do que disposição pra esconder, é preciso astúcia. Vocês são muito pouco astutos. Admitam e sejam felizes. Nós costumamos achar graça da maior parte dos fatos que vocês querem esconder. Quando nos enfurecemos, nós, as mais sábias... Choramos no travesseiro... Ou... Levantamos e vamos embora...
* Não traia. Encare o método monogamia em série, é mais produtivo, prudente e lúdico. Além de garantir sua lucidez. Vocês não conseguem gerenciar nem uma mulher por vez, não se metam a gerenciar duas ou três...
* Não seja muito ciumento. Mulher não trai. Se te trair, o que é raro, a possibilidade de você saber é quase zero. Mulheres são perfeccionistas e não deixarão rastro. Estou falando de mulher, não de criaturas sem caráter, ok? Reflitam...
* Nunca prometa nada que não vá cumprir. Nem um mero telefonema. Sem expectativa, não há decepção. Portanto, promessas são bem-vindas, única e exclusivamente, junto a atitude.
* Tenha a decência de conhecê-la pra tipo não levá-la pra comer camarão e ela ser alérgica... Ou tipo dar um presente que ela nunca usaria. Procure ajuda feminina amiga em caso de pânico.
* Não a mantenha sob disposição. Mulheres querem estar perfumadas e depiladas para sua aparição. Então, você diz o dia que vai aparecer e a hora. Para que ela seja uma mulherzinha fofa quando você chegar.... E... Para que ela seja uma mulher moderna e utilize o restante do tempo para ela e não caraminholando inseguranças, traições ou afins. Ah... Você faz o planejamento, avisa e cumpre!!! É melhor alertar...
* Faça surpresas, mas evite incertas pela noite ou atitudes esquizofrênicas. Algumas são introvertidas, tímidas e outras simplesmente gostam de dormir.
* Não seja dois pesos, duas medidas. Você tem amigas, ela tem amigos. Você sai sozinho, ela também. Você joga futebol, ela tricota com as amigas. Esta regra tem pequenas exceções. Você carrega peso, troca pneus e mata baratas, ela não (não necessariamente).
* Não grude... Não suma... E descubra você, a necessidade de sua mulher. Com tato e olhos abertos é muito simples. Somos quase transparentes.
* Afaste todo tipo de encosto feminino... Falo de ex, loucas apaixonadas, amigas muito grudentas, retardadas carentes... Vale contar com a cumplicidade dela em casos mais extremos.... Ou sempre, como preferir...
* Alimente-a. Alma, estômago, corpo e mente. Portanto, seja carinhoso, não a deixe passar fome, transe muito (com ela) e ensine coisas, aprenda, converse...
* Ame-a na TPM... Dê chocolates... Aliás... Ame-a em qualquer dia... É melhor... E diga, demonstre, aja!
* Lembre-se: perdoamos quase tudo se você se fizer perdoar... Mulheres querem apenas o Happy Ending, mesmo que temporário. Eu, em situações confortáveis ao meu coração, assisto o jogo de futebol, cozinho, trago a cerveja, faço massagem, faço quase todas as vontades. Mas é preciso sabedoria e muito amor pra me levar a este ponto e me manter nele.

Mãos à obras, mocinhos e sejam felizes!!!

Texto sábio extraído daqui.

Sobre vícios

Atire a primeira pedra quem nunca se viu viciado em alguma coisa (ou alguém).

Eu sou um ser essencialmente viciado. E de um tipo de vício que não há rehab que dê jeito.

Azar o seu!

A vantagem é que meus vícios mudam com o tempo. Quando criança, eu era viciada em livros (ehr, bem, o verbo no pretérito não é exatamente aplicável aqui). Pode parecer bonitinho num primeiro momento, o sonho de todos os pais "ó, que lindo, minha filha adora ler". Não era exatamente o que meus pais pensavam, levando-se em consideração que eu esquecia de comer e, se deixasse, não dormia com a cara enfiada no livro.

Mãe, cabei!

Na sétima e oitava série do primeiro grau (porque eu sou velha e na minha época era assim) minha professora de Português levava uma sacola cheia de livros, e fazia uma espécie de "biblioteca" particular, só da turma. Ela anotava o nome do aluno e os livros que estava levando, pra serem devolvidos na semana seguinte. Invariavelmente eu queria levar cinco, seis. De Machado de Assis à Coleção Vaga Lume, não importava; eu queria ler. Chegou num ponto que minha mãe me proibiu de levar os livros pra casa; eu chegava da escola e esquecia da vida com a cara enfiada no livro. Claro que a proibição não adiantava muito. Eu simplesmente enfiava o livro dentro da blusa, me metia no meio do mato no quintal e ficava lá a tarde toda.

Tive outros vícios depois. Video game (Mortal Kombat era o top do meu vício), vôlei, a lista seria enorme. Mais recentemente, de 2004 pra cá, a ressurreição do meu vício por Lois & Clark - The News Adventures of Superman, que reinou absoluto por volta de 94 (me fazendo, inclusive, pensar em seguir a carreira de jornalismo), mas que murchou com o fim da série. Eu não tinha internet na época, afinal de contas. Tudo mudou depois que eu encontrei no Orkut um grupo de loucas que também eram apaixonadas pela série. Aí ferrou.

- Disfarça! - Tô tentando!

Maaas, como meus vícios são rotativos, eis que surgem novos. Depois que fui apresentada à música Mon Essentiel (culpa da Eloá), meu vício da vez foi evoluindo do musical Le Roi Soleil pro próprio - ou seja, Luis XIV.

Tá na hora do babyliss...

Tendo fortes oscilações para o intérprete, Emmanuel Moire, que, vamos combinar, Deus estava num dia de humor radiante quando esculpiu essa criatura. Com todo o respeito aos gays, esse homem ser homossexual agride minha heterossexualidade, mas enfim. Deixa quieto, ele tá lá na França, não ia adiantar muito ele ser hetero mesmo. Não pra mim, pelo menos (não, eu ainda não acredito nisso).

Oi.

Mas então, eu estava falando de Luis, não do Emmanuel. A personalidade do Rei Sol é fascinante. Ando devorando artigos e textos sobre ele, e pretendo, logo que possível, comprar alguns livros a respeito. Ok, confesso que conviver com ele provavelmente era um martírio, o cara tinha um ego que não cabia na França, mas, mesmo assim, há algo de hipnótico nele que me faz, muitas vezes, deixar de me dedicar a coisas mais urgentes pra me deleitar em estudos sobre sua vida.

E, neste exato momento, misturando ficção e realidade, eis-me novamente assistindo, pela enésima vez, o musical sobre tal figura. Sou neurótica?

Deus e o amor

Eu sabia que tinha alguma coisa errada nesse negócio...



E pensar que as coisas não mudaram muito de lá pra cá...


Tirinhas desse site aqui.

Lendas Urbanas

Porque se aprende muito com os velhinhos nos pontos de ônibus.

Eu, por exemplo, aprendi hoje que não devemos temer coisas como invasões alienígenas, hecatombe maia (popularmente conhecida como 2012), José Serra presidente nem violência urbana.

Não.

O perigo está ainda mais próximo do que nós imaginamos. E disfarçado!

Sim, o perigo reside neles... Nos terríveis e carnívoros... Pombos.

Eles estão lá, nos espreitando...

Pois é, vivendo e aprendendo. Estava eu, na santa paz do Senhor, aguardando a carroça o ônibus, e uma senhora tentava espantar os pombos que, muito na deles, ciscavam o chão ali por perto. Como eu já estou acostumada a tudo de estranho que acontece por aqui, ignorei. Dali a pouco chegou uma outra senhora, e gente interativa mora na roça, né? Começou o papo.

- Eu tenho uma vizinha que vive dando comida pra eles. Sempre tem um monte de pombos lá perto de casa.
- Eu odeio esses bichos! Eles são perigosos! (Eu: oi?)
- É, meu pai não gostava deles, eu já avisei a ela...
- Deixa ela se ferrar! Eu conheci uma fulana que sempre dava comida pra esses bichos e, no dia que ela apareceu e não levou nada, eles atacaram ela! Bicaram ela todinha, furaram a pele, arrancaram os olhos... (Eu: O_o)
- É mesmo?? Eu vou contar isso pra minha vizinha...
- Nah, deixa ela se ferrar, vai ser bem feito. Esses bichos são carnívoros!

Ehr... Quer dizer...

Cultura, biologia e gentileza, a gente vê por aqui.

Cuidado, você pode ser a próxima vítima!

P.s.: Os pombos, aparentemente, não se importaram com as injúrias e difamações espalhadas sobre eles. Ou talvez só estivessem disfarçando, vai saber...

Os estrangeiros


Pensei em escrever algo sobre essa nova situação de tensão em Israel, mas li um texto de que gostei tanto, e com o qual me identifico tanto, que achei melhor simplesmente reproduzi-lo aqui. Religião (qualquer que seja) nunca provocou guerras; o que provocam as guerras são as lideranças dos países, por interesses políticos e/ou econômicos. Simples assim. A quem se sente inclinado a, num primeiro momento, culpar judeus, cristãos ou muçulmanos por todos esses genocídios que as TV's não cessam de expor, recomendo fortemente a leitura deste texto. Deus - seja lá o nome pelo qual é chamado - não tem absolutamente nada a ver com isso.


Paulo Brabo - Os estrangeiros que são todos.
Texto publicado originalmente em 25 de julho de 2006

Certo de estar a ponto de ferir a sensibilidade de alguns, quero deixar clara minha posição sobre determinado assunto: o Estado de Israel não representa qualquer continuidade, mesmo que honorária, com a tradição religiosa judaico-cristã registrada nas duas metades desiguais da Bíblia. Historicamente e espiritualmente falando o Estado de Israel não representa a religião que se convencionou chamar de judaísmo, e creio que pelo menos lá todos sabem disso.

Há muitos judeus devotos ao redor do mundo, muitos desses em Israel, mas não cabe identificar israelitas com israelenses ou o associar o Estado de Israel à Terra Prometida (e muito menos ao reino de Davi); qualquer tentativa em contrário é engano ou esforço de marketing e de relações públicas, sendo esses últimos patrocinados em grande parte pelos Estados Unidos, com o consentimento embaraçado de Israel.

Tenho amigos em Israel e estou muito longe de ser anti-semita; tenho também queridos amigos muçulmanos, e não sou ingênuo o bastante para crer que a tensão entre Israel e o mundo árabe seja simples de recapitular, de equacionar, de assimilar ou de solucionar. Também não tenho qualquer antipatia pelos israelenses que não são judeus, e tampouco creio haver qualquer diferença de mérito entre as categorias igualmente arbitrárias que acabo de mencionar.

Amai, pois, o estrangeiro, porque fostes estrangeiros na terra do Egito.

Tenho ainda a dizer que apenas as guerras me enfurecem mais do que Estados e nações; apenas as guerras soam-me mais atrozes e arbitrárias do que rótulos.

Mas a guerra é um demônio que não pára: seu emblema é o símbolo alquímico das duas salamandras devorando incessantemente uma a cauda da outra. O terrorista de um lado é o herói da resistência do outro. Cada ataque confirma as piores suspeitas que um adversário tem do seu antagonista; cada ofensiva é redimida com novos recrutamentos, que garantem a perpetuação do conflito. Os Estados Unidos permanecem liberando indiscriminadamente o Iraque, fomentando indignação igualmente justificada entre muçulmanos letrados e chãos. Israel, sentindo-se ameaçado como nunca pelo Hezbollah (que é por sua vez patrocinado por implacáveis rancores iranianos e sírios), está atacando de formas sujas e limpas palestinos e libaneses – que estão longe de ser inocentes, mas que morrem com a facilidade atroz de qualquer um – enquanto na América cristãos queimam cópias do Corão em austera homenagem ao Príncipe da Paz.

Morrem quase quatrocentos libaneses num único dia da semana passada, ao mesmo tempo em que os israelenses abandonam em massa o norte do país temendo velhos ataques e novas retaliações.

* * *

É comum associar o cristianismo e a mensagem de Jesus a uma compreensão nova, inclusiva e compassiva sobre a natureza do “outro”. Isso é em grande parte muito acertado, mas é bom lembrar por exemplo que “amai o próximo como a ti mesmo” é injunção da Bíblia hebraica – curiosa exigência que precede a Jesus e da qual o judaísmo não prescinde.

Se Deus não faz acepção de pessoas, todos os genocídios são o mesmo.

Na verdade, são inúmeros os mandamentos da Lei de Moisés explicitamente desenhados para proteger o desavisado outro – o estrangeiro – que se encontrasse em terras de Israel. E o motor dessa tolerância, o declarado motivo para essa misericórdia, deveria ser segundo o texto a recorrente lembrança do passado de Israel como povo estrangeiro e oprimido no Egito, antes do Êxodo e da independência e da Lei: “amá-lo-eis como a vós mesmos, pois estrangeiros fostes na terra do Egito”.

O israelita é dessa forma desafiado constantemente pela sua Lei a recordar a abjeção da sua condição anterior, bem como a dispensar ao estrangeiro a misericórdia que no passado não obteve:
  • Não rebuscarás a tua vinha, nem colherás os bagos caídos da tua vinha; deixá-los-ás ao pobre e ao estrangeiro. Eu sou o SENHOR, vosso Deus.
  • Quando segardes a messe da vossa terra, não rebuscareis os cantos do vosso campo, nem colhereis as espigas caídas da vossa sega; para o pobre e para o estrangeiro as deixareis. Eu sou o SENHOR, vosso Deus.
  • Se o estrangeiro peregrinar na vossa terra, não o oprimireis.
  • Como o natural, será entre vós o estrangeiro que peregrina convosco; amá-lo-eis como a vós mesmos, pois estrangeiros fostes na terra do Egito. Eu sou o SENHOR, vosso Deus. (Levítico 19:10, 23:22, 19:33-34)
Outras passagens sustentam que o verdadeiro patrocinador desse amor tolerante pelo estrangeiro/outro é o caráter singular de Deus, que não aceita suborno e não faz distinção entre as pessoas:
  • Pois o SENHOR, vosso Deus, é o Deus dos deuses e o Senhor dos senhores, o Deus grande, poderoso e temível, que não faz acepção de pessoas, nem aceita suborno;
  • que faz justiça ao órfão e à viúva e ama o estrangeiro, dando-lhe pão e vestes.
  • Amai, pois, o estrangeiro, porque fostes estrangeiros na terra do Egito.
  • Não aborrecerás o edomita, pois é teu irmão; nem aborrecerás o egípcio, pois estrangeiro foste na sua terra.
  • Não perverterás o direito do estrangeiro e do órfão; nem tomarás em penhor a roupa da viúva.
  • Quando acabares de separar todos os dízimos da tua messe no ano terceiro, que é o dos dízimos, então, os darás ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva, para que comam dentro das tuas cidades e se fartem. (Deuteronômio 10:17-19, 23:7, 24:17, 26:12)
Porém o mundo dá voltas, e os palestinos são hoje hóspedes impossivelmente incômodos dos israelenses, da mesma forma que Israel é refém do mundo árabe, embora conte com a proteção dos americanos, graças aos quais os iraquianos são também estrangeiros em sua própria terra. Só me resta pedir que Deus proteja os estrangeiros que são todos, porque não posso esperar que judeus e cristãos e muçulmanos honrem suas Escrituras ou neguem sua história.

* * *

Ninguém me venha, finalmente, acusar de anti-semitismo: se Deus não faz acepção de pessoas, todos os genocídios são o mesmo. Quanto a judeus e cristãos e muçulmanos que derramam sangue ao mesmo tempo em que alegam possuir alguma intimidade com a Misericórdia, façam-me um favor: vão para o inferno.

Maldito aquele que perverter o direito do estrangeiro, do órfão e da viúva. E todo o povo dirá: Amém!
(Deuteronômio 27:19)

Texto retirado daqui.

Mas que inferno!


"O reverendo Charles Scicluna, responsável pelas investigações do Vaticano sobre acusações de molestamento de crianças por padres católicos, disse que os culpados 'sofrerão uma condenação no inferno que seria pior do que a pena de morte'".
http://br.noticias.yahoo.com/s/29052010/25/mundo-molestadores-criancas-vao-inferno-diz.html

Meu caro reverendo, o senhor sinceramente acha que alguém que tem um distúrbio a ponto de molestar sexualmente crianças às vezes de cinco, seis anos, está mesmo preocupado se vai pro céu ou pro inferno?! Aliás, alguém hoje em dia encara essa perspectiva com uma real preocupação?

Quer dizer...

Ok, eu sei que há gente que de todo o coração acredita lá na caverna embaixo da terra, ardendo em fogo, com um monte de capetinhas com tridentes espetando as... Ehr... os traseiros dos pobres condenados à danação eterna, com o capetão-mor (ou "inimigo", como querem alguns) balançando o rabo, sorrindo ferozmente enquanto se delicia com o sofrimento alheio, por mais medieval que a cena possa parecer. Eu, enquanto protestante, tenho minhas questões histórico-filosóficas com isso.

Eu conheço pelo menos uma dúzia de "crentes" (insira aqui a interpretação que bem lhes aprouver, seja com conotação pejorativa ou não, dependendo de sua experiência com esses seres - lembrando que "crente" é aquele que crê, o que não necessariamente se resume a evangélicos ou protestantes [que pra mim dá no mesmo, mas tudo bem] - portanto, se você crê na Grande Abóbora ou nos Jedis, você também é crente) que me condenaria a uma temporada eterna ao lado do chifrudo por conta dessa minha opinião. Eu particularmente dispenso, não me dou bem com calor (e calor por calor, eu moro no Rio de Janeiro, o inferno não pode ser muito mais quente do que a sensação térmica de 50°C que deu neste verão). Well, mas eu tenho cá meus argumentos pra questionar a real existência desse ser mítico, mesmo fazendo parte da turma dos "crentes".

Primeiro o argumento histórico. Até a Primeira Diáspora, também conhecida como "Exílio Babilônico", os textos judaicos descrevem Lúcifer como um anjo a serviço de Deus. Vê-se isso no livro de Jó, onde o capiroto pede autorização para pentelhar o pobre coitado do Jó, que tava lá todo pimpão na dele. Mas, no final das contas, Deus chega, bota ordem no pedaço e resolve. É assim que eu acho que deve ser, e é assim que eu penso que é. O "mal" tem seu papel por algum motivo - até porque, vamos combinar, quando tá tudo às mil maravilhas você fica estagnado. Só aprende a andar quem mete a cara no chão algumas vezes. Soa meio pessimista, mas assim é o mundo. O ser humano é um bicho acomodado.

O diabão lá só começou a ganhar status de muito importante depois da Babilônia. Porque lá os "jacozinhos" se depararam com uma religião chamada Zoroastrismo, que tinha por princípio um deus do bem e um deus do mal. Os caras acharam isso legal, e promoveram Lúcifer. De anjo sob as ordens de Deus, começou a ser o "adversário de Deus".

Aí entra minha questão filosófica; mas Deus não é soberano? A Bíblia não diz que "não cai uma única folha de uma árvore sem que Ele saiba"? Como assim um anjo - a Bíblia diz, inclusive, que os anjos estão abaixo dos humanos quanto à preferência do Todo-Poderoso - pode fazer frente àquele que criou tudo? O cara viraria pó celestial só de pensar isso, vamos combinar.

Ops. Temos uma contradição aí.

Aliás, eu acho muito cômodo desses meus "irmãos" que dizem que tudo que acontece de ruim foi o "inimigo" que agiu. Inimigo o caramba, eu tenho livre arbítrio, pô! Não sou uma peça de xadrez num jogo entre Deus e o diabo não! É muito confortável fazer as merdas e depois se justificar dizendo que foi "o diabo" que o tentou. Aham. Tá bom. E eu sou o anjo Gabriel, prazer. Toma vergonha na cara de assumir os erros e arcar com as consequências. Isso é mais cristão, simplesmente porque é mais sincero. Vide Davi, que matou, cometeu adultério, pintou e bordou, e depois foi lá chorar as pitangas com Deus e aguentou pianinho o resultado. Mas não acusou ninguém das merdas que fez.

Portanto, meu caro reverendo Scicluna, eu acredito, sim, na justiça divina, mas não acho um bom negócio esperar o inferno dar um jeito nessas criaturas que molestam crianças. Por mim, enfia na cadeia, cobre de porrada e depois deixa descansando na salmoura, enquanto pensa em seus pecados. Já que estamos tratando de soluções medievais (inferno e talz), um castiguinho medieval estaria coerente, né não?

* Antes que apareça algum amiguinho seguidor de Lutero (ou de Calvino, ou do Papa, ou de Henrique VIII [sic], whatever) querendo me exorcisar, lembro duas coisas; primeiro, cada um é livre pra crer naquilo que achar melhor. Isso tá na constituição do nosso lindo país. Se você se sente satisfeito pensando nas pobres almas queimando eternamente numa caverna de lava, ok, seja feliz com seu pensamento "cristão", e me deixe em paz. Segundo, além de ter sido ensinada sob os auspícios sábios de John Wesley ("no que não abala os alicerces do cristianismo nós pensamos e deixamos pensar"), o que vai acontecer depois da morte é uma coisa que só morrendo vamos saber. Então não me encham o saco, e esperem morrer pra saber quem tem razão, ok? Um pouquinho mais de paciência, porque todos vamos descobrir algum dia. Depois vocês me contam. Ou eu conto, se for primeiro. Ou não também, eu posso estar confortavelmente curtindo a brisa do céu numa nuvem fofa, ouvindo uma orquestra de anjos tocando harpa (eu já disse que adoro harpa?). Ou cozinhando no inferno segundo vocês, sei lá.

** Em tempo: Não, eu NÃO disse que os metodistas (John Wesley e talz) pensam dessa forma. Estou dizendo que EU tenho liberdade suficiente pra pensar. Não fui eleita representante da doutrina da Igreja Metodista; sigo-a por achá-la coerente, mas isso não quer dizer que eu concorde 100% com ela. Aqui eu represento minhas próprias ideias. Que, inclusive, já mudaram várias vezes e podem voltar a mudar.

Cromosssomo Y


Pois é, parece que depois daquele lance de revolução feminina as coisas ficaram meio confusas. Generalizações não são bacanas, mas já peço desculpas, de antemão, porque farei algumas.

Nós tínhamos a sociedade toda certinha, com os machos da espécie provendo a casa, dando suas puladas de cerca "naturais" (sic), e determinando tudo o que era bom para a família (esposa e filhos). A decisão era dele. Ele era o "chefe da casa". Aí veio essa tal de pílula, umas malucas andaram queimando sutiãs na rua, e o mundo virou de pernas pro ar. E o nosso pobre espécime masculino às vezes parece não saber muito bem como agir.

Deixando claro algumas coisas sobre minha posição acerca do assunto, gostaria de dizer que pra mim quem tem chefe é índio. Fora isso, eu já fui mais feminista, lá pelo começo da adolescência; mas não tem jeito, meu gene romântico medieval não deixou isso evoluir muito. Então eu oscilo entre os dois lados, mais ou menos ali pelo meio. Nem "os homens mandam" nem "abaixo a ditadura masculina". O meio termo é muito difícil de se obter, e por isso ele é tão importante.

Well, voltando ao assunto, o fato é que essa revolução toda parece ter deixado os relacionamentos um tanto quanto confusos. Qual é a função de cada um?

Há aquelas mulheres que gostam de homens à moda antiga (opa! o/), que são cavalheiros, educados, abrem a porta do carro, puxam a cadeira para elas sentarem, dão flores, fazem declarações de amor, etc... Mas isso não significa que elas querem que eles tomem a frente nas decisões que deveriam ser do casal. E eu já observei a tendência desse modus operandi em algumas situações, com pessoas diferentes.

"Fiz o que achei que era melhor pra nós dois." Alow, cara pálida, se são DOIS, você não acha que esqueceu de perguntar a opinião de alguém não?! Tipo, você pode ter a maior boa intenção do mundo, mas de boa intenção o inferno tá cheio. Decida coisas sozinho quando essas decisões não afetarem a pessoa que está ao seu lado - aliás, dentro do possível, quando não afetar a ninguém além de você mesmo, embora isso seja um pouco difícil. É claro que quando digo "ao seu lado" não me refiro necessariamente apenas a relacionamentos nomeados; as coisas estão tão efêmeras e amalgamadas hoje em dia, que muitas vezes as pessoas têm um relacionamento pelo sentimento que as une, e não por nomenclaturas pré-determinadas. É principalmente a esses que me refiro.

Então, amiguinhos da turma do cromossomo Y, pensem duas vezes antes de virem com a ideia do "melhor pra nós dois" ou "não queria fazer você sofrer". Se resolveu fazer alguma coisa que afete diretamente uma outra pessoa, pro bem ou pro mal (segundo sua própria avaliação, é bom frisar) é pelo menos de bom tom avisá-la disso. Terminar relacionamentos via telefone e internet, por exemplo, já não parece ser mais uma coisa tão incomum; mas pior é ficar sabendo por algum desses meios que a outra pessoa resolveu isso e esqueceu de te avisar.

Algumas coisas não mudaram. A maioria das mulheres continua querendo ser cuidada, paparicada, afofada, mimada, protegida num abraço apertado (mesmo que diga o contrário, mesmo que finja ser durona - aliás, normalmente essas são as que mais querem); mas não são mais vocês que decidem as coisas sozinhos. Já descobriram que as mulheres pensam, e são absolutamente capazes de decidir sobre suas próprias vidas! Seria bacana lembrar disso. A máxima romana do "dividir para conquistar" ganha uma nova ótica aqui; dividindo problemas, dúvidas e insatisfações, conquista-se mais confiança. #fikdik

Semi-inaugurando

Êêêêê! Blog novo. Com postagens velhas, pois é, eu sei. Mas achei que essas aí do blog anterior estariam de acordo com o novo, e por isso as resgatei. Também pra testar o layout desta bagaça - Alguma coisa me incomoda, talvez a parte das postagens muito estreita, mas vai ficar assim. Depois de, numa crise, cometer bloguicídio, deu um trabalhão recuperar os gadgets (leia-se tranqueiras), então não vou mexer mais nesta budega nem tão cedo. Eu acho.

Well. Então estamos aí pra falar de tudo e de coisa nenhuma.


E eu começo o blog (no terceiro post) falando do meu dia: Dia do orgulho nerd, ou geek pride day, que se comemora em 25/05*.

Como tudo no mundo de hoje, o conceito de "nerd" é muito variável (aliás, o relativismo da atualidade me incomoda às vezes). A primeira imagem que vem à mente, provavelmente, é a daquele cara feio, de óculos, gênio em exatas (física, química, matemática, whatever), que não sabe se relacionar com as pessoas e por isso vive uma vida virtual. Acho que esse é o estereótipo mais básico do nerd. Tem outros detalhes também, como gostar de ficção científica e talz. Percebam; nerd não é sinônimo de CDF. CDF é o cara que só tira notão em tudo, e pode ser popular ou não. Nerd tira notão naquilo em que é especialista, e em geral tá longe de ser popular. É diferente.

Descobri numa realidade paralela na net que existem subtipos de nerds. E com isso descobri que faço parte de pelo menos uns quatro grupos e já fiz de outros dois... Oh, gosh. Vejamos... Temos os Geeks, que usualmente são relacionados aos fanáticos por tecnologia (opa! Tamojunto). Os RPGistas, ou adeptos do Role-Playing Game, os jogos onde você interpreta personagens (eu tenho mais de cem páginas com uma história de elfos e demais seres fantásticos, personagens de aventuras de RPG... Falta-me tempo pra terminá-la). Os Fanbases ou Fandons, fãs de determinada obra (em geral Senhor dos Anéis e Star Wars - Tamojunto again)... E por aí vai o fantástico mundo dos nerds... Há ainda os gamers (já fui, na adolescência - jogar Mortal Kombat era tudo!), os Cards Gamers (ainda tenho minhas cartas de Magic!)...

Mas graças ao relativismo que me incomoda, eu posso me considerar nerd mesmo sendo uma ameba com números (sério, devo ter discalculia), e não usando óculos (buáá). Assim como eu, outros nerds assumidos (ou não), podem comemorar no dia 25/05 - aliás, vai ter um evento na ECO (Escola de Comunicação da UFRJ - mais informações aqui) pelo dia. Infelizmente eu não vou estar presente. Pois é, vai ser justamente na hora da aula em que vou apresentar um trabalho... :(

Enfim, a mensagem de quase-abertura do blog era essa. Nerds do mundo, uni-vos! Mas via internet, é claro. :D

* O dia 25/05 não foi escolhido aleatoriamente. O Dia do Orgulho Nerd foi criado em 2006 na Espanha, pra comemorar a estreia do primeiro filme da série Star Wars, em 1977.