Palhaçada!


A cada ano eleitoral que passa, mais me torno monarquista. Sim, porque, convenhamos, um povo que elege e reelege nomes como Garotinho, Maluf e Roseana Sarney merece ser conduzido debaixo de porrada, pra ver se aprende alguma coisa.

“Diretas Já” pra que, meu povo?!

Enquanto as discussões seguem acaloradas entre os defensores da elite, partidários do Serra, e os populistas, partidários da Dilma, o pessoal parece esquecer que a máquina pública não se move apenas com um presidente. Tem muita coisa por trás, e a culpa das lambanças políticas não é só de quem senta na cadeira do cargo máximo do executivo não. Se fosse assim, seria ditadura, não democracia. Tem um bando de urubu atrás de seu pedacinho de carniça. Que, no caso, se resume àqueles caraminguás minguados que você recebe todo mês na sua conta. Enquanto você se satisfaz com um salário de merda, seu deputado federal mais eleito, um tal de “Tiririca”, vai receber num ano provavelmente mais do que você vai receber durante toda sua vida. Isso sem trabalhar metade do que você trabalha. Culpa sua.

Brasileiro tem mania de levar a vida na flauta. Tudo é lindo, tudo é colorido, tudo é praia, sol, futebol e carnaval. A violência? Culpa dos políticos, que não pagam os policiais direito. Fome? Ah, agora tem bolsa-miséria, só quem reclama de fome é vagabundo. Educação? Pra que esse povo quer educação, não é mesmo? Vamos rir, fazer piada. Sei lá, eu tenho a impressão de que eleger o Tiririca deputado federal foi alguma espécie de protesto cômico. Ou tentou ser, porque eu não achei graça nenhuma. Quem vai pagar o salário daquele infeliz semi-analfabeto sou eu. Sem ter nada a ver com isso, diga-se.

Poderia-se alegar que, em termos democráticos, o brasileiro ainda é uma criança. A República foi proclamada em 1889, e ficou na mão de militares durante muitos anos. As poucas experiências democráticas que tivemos, antes de 1989, tiveram participação popular inexpressiva – o detalhe é que o presidente eleito em 1989, Collor, sofreu impeachment três anos depois, um prenúncio de que o povo definitivamente não sabia escolher seus governantes. Vinte e um anos depois da primeira eleição à presidência pós-Diretas Já, quatro presidentes (Fernando Collor de Melo, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso e Lula), um impeachment e duas reeleições depois, o povo continua fazendo merda. Esse foi só um levantamento superficial do que é mais palpável, mais midiático, que são as eleições pra presidente. Mas nesse meio tempo o Collor (aquele, do impeachment) já foi eleito senador, os Sarney continuam sendo os donos do Maranhão, Maluf encara milhões de processos com a cara mais cínica do mundo e se reelegendo vitaliciamente e Garotinho ri na cara da justiça. Culpa da nossa legislação insuficientemente rígida? Não, culpa da falta de vergonha na cara do povo, que continua elegendo essa corja e fazendo palhaçada nas urnas, pagando salários estratosféricos a gente como o finado Clodovil e agora o Tiririca.

Palhaço não é o Tiririca. Palhaço é quem vota nele.

P.s.: Só pra constar, as atualizações estão raras porque estou às voltas com dois concursos de mestrado e um concurso público – sim, eu também quero ser sustentada pelos impostos do contribuinte. Se o Tiririca pode, por que eu não? O pior é que eu tenho que me esforçar muito mais do que ele pra isso –, além de estar sem internet em casa.

Coisas da internet...

Embarcando na onda dos "memes" (não sabe o que é "meme"? Eu também não sabia há um minuto, mas não há nada que, rezando pra São Google, a Santa Wikipédia não responda [ainda não entendeu? Então leia a ótima definição deste site aqui]), vi um no blog da Alinde e resolvi fazer - mas eu sei que não teria saco pra fazer um post por dia religiosamente durante um mês inteiro, como esse meme propõe, primeiro porque não tenho paciência, segundo porque não tenho tempo e, terceiro, porque disciplina é algo que passa bem longe da minha existência. Se não consigo ter disciplina pra coisas importantes, muito menos pra inutilidades como essas. Mas eu queria fazer assim mesmo (sim, a gente somos inúteis), então resolvi que vou fazer tudo numa tacada só, com um post só. Rá.

[Post gigantesco detected]

1 - Sua música favorita.

Cara, complicado. Obviamente eu tenho várias, e elas mudam de acordo com a fase da vida em que estou. No momento posso dizer que tenho ouvido cerca de 7485 vezes a Mon Essentiel, do musical Le Roi Soleil - quem me segue no Twitter ou no Facebook já deve ter enchido o saco de tanto que falo desse musical. Mas eu tô apaixonada pelo Luis XIV e pelo Emmanuel Moire. Quando o Emmanuel Moire interpreta Luis XIV... Tem como evitar?! XD



Eu sei, a imagem tá ruim pra kct, mas o clip é tãããão lindo... (e o Emmanuel Moire é uma coisa... Quero um desse!)

2 - Seu filme preferido

Outra coisa complexa. Um filme que eu sempre revejo porque acho de uma delicadeza e uma poesia ímpares é o Fabuloso Destino de Amélie Poulain. Sem contar o magnífico uso das cores e a fotografia linda.
Mas eu também não posso deixar de fora os símbolos do universo nerd, que eu também adoro: Star Wars e O Senhor dos Anéis. A criatividade e complexidade do universo de George Lucas e o uso dos efeitos especiais tão bem aplicados são fascinantes, e, quanto a SdA, o Peter Jackson fez simplesmente a melhor adaptação de uma obra de fantasia pras telas de cinema. Os puristas que me desculpem, mas PJ é gênio. Quem discorda que vá assistir a coisas como Percy Jackson e os Olimpianos, The Last Airbender ou, o pior de todos, Eragon. Depois me digam se The Lord of the Rings não é um primor de adaptação.
E, se falarmos em séries, tem ainda Lois & Clark - The New Adventures of Superman, que eu não canso nunca de assistir milhões de vezes (e usar expressões no dia a dia, e falar junto com os atores em algumas cenas - em inglês, mesmo mal falando português)... A ênfase da série no dia a dia dos dois repórteres principais do Planeta Diário, a construção do Clark como um cara inteligente, esperto, à altura da impetuosa Lois - ao contrário do bocó dos filmes, baseado no Clark pré Crise das Infinitas Terras - deu um tom de comédia, aventura e romance perfeito à série.

Né por nada não, mas a Teri Hatcher foi a melhor Lois Lane de todos os tempos!

3 - Seu programa de televisão favorito

Putz... Eu mal vejo TV. Atualmente, quando consigo, assisto aos Pinguins de Madagascar (Yeah, TV Globinho), ou ao CQC.

4 - Seu livro favorito

Não sei o que é mais difícil pra escolher um só, se é música, filme ou livro. Eu tenho uma lista gigantesca de livros que eu não canso de reler, mas preciso admitir que Machado de Assis mora no meu coração, e figura na lista dos grandes nomes que eu gostaria de ter conhecido. De todas as suas obras-primas, Dom Casmurro é a que mais me fascina. A maestria e acidez com que narra um amor desde seus primórdios de amor platônico até o fim amargo, e a suspeita que paira no ar sobre a eterna figura de Capitu são magnéticas. Quem mais poderia cunhar expressões como "olhos de ressaca" e "cigana oblíqua e dissimulada", que servem tão perfeitamente pra definir impressões indefiníveis que certas pessoas nos causam?

5 - Uma citação de alguém

"O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais, há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que nem eu mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade... sei lá de quê!”
(Florbela Espanca)

Nada me define tão exatamente quanto esse trecho de Florbela.

6 - Uma experiência inesquecível

Passei alguns minutos pensando sobre isso. Uma das únicas coisas que me vieram à mente foi minha primeira viagem de avião, porque foi uma sensação bem gostosa me ver em meio às nuvens - literalmente, já que minha cabeça vive por lá. Também pensei num beijo que rolou depois de 7 - SETE - anos de espera. Mas isso a gente deixa pra lá.

7 - Uma foto que te faz feliz

Duas:

Alice, Mau, Rê, Eloá, Alê, Van, pessoinhas que fizeram meu aniversário de 2007 um dos melhores da minha vida.

Ministério de Louvor da Igreja Metodista em Edson Passos, num congresso em Petrópolis. Foto de... Putz, sei lá. 2001, 2002, por aí. Pessoas que fizeram parte da minha vida, que eu amo demais e de quem sinto muita falta. Falta das pessoas em si, de todas as coisas boas que vivemos juntos, de uma época que não volta mais...

8 - Uma foto que te deixa irritado / triste


Vozinha. De quem me despedi hoje. Sem mais a dizer.

9 - Uma foto que você tirou


Uma das minhas fotos - enquanto fotógrafa amadora - preferidas. Tirada em Fribs, na casa da Van e da Alice.

10 - Uma foto de você há mais de dez anos

Pirralha com 13 anos, achando que é gente com esses cambitos finos e quadril desencaixado.

11 - Uma foto sua recente

Eu e Joyce no casamento da minha afilhada Estefani, ontem.

12 - Um conto

FELICIDADE CLANDESTINA
Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria. Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como "data natalícia" e "saudade".
Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia.
Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato. Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E, completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria. Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança de alegria: eu não vivia, nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam.
No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.
Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono da livraria era tranqüilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do "dia seguinte" com ela ia se repetir com meu coração batendo.
E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra. Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.
Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler! E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo. E para mim: "E você fica com o livro por quanto tempo quiser." Entendem? Valia mais do que me dar o livro: "pelo tempo que eu quisesse" é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer.
Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.
Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que
era a felicidade. A felicidade sempre ia ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar... Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada. Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo.
Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante.

Clarice Lispector. In: "Felicidade Clandestina" - Ed. Rocco - Rio de Janeiro, 1998

13 - Um livro de ficção

Gosto muitíssimo de livros de fantasia. Séries como O Senhor dos Anéis, O Ciclo da Herança (Eragon, Eldest, Brising e o quarto que o Christopher Paolini tá demorando uma eternidade pra parir), a série Percy Jackson e os Olimpianos, enfim... Adoro fantasia. Assim como também adoro policial - Agatha Christie é o máximo! Mas, entre tantos, acho que vou ficar com O Incêndio de Tróia, de Marion Zimmer Bradley. Gosto muito do olhar feminino que ela dá a grandes mitos/eventos históricos como a vida de Arthur vista pelos olhos das principais mulheres de sua corte em As Brumas de Avalon, ou, no caso do livro que escolhi, a queda da cidade de Tróia sob a ótica da princesa-profetiza Cassandra.

14 - Um livro não-ficcional

Que eu tenha lido inteiro, acho que fico com Minha Vida, de Isadora Duncan. A intensidade com que ela narra sua vida, suas escolhas muitas vezes chocantes para as mulheres da época, e como ela vivia a dança, mostra porque ela se tornou um marco na História da Dança. Por outro lado, andei lendo uns trechos de O Amor e Luis XIV: As Mulheres na Vida do Rei Sol, de Antonia Fraser, onde ela fala sobre as mulheres que foram importantes na vida do monarca que reinou absoluto na França por 72 anos. Não apenas suas astutas amantes, como Athénaïs de Montespan, mas também sua mãe, Ana da Áustria, entre outras. Além desse, eu também li alguns trechos - e vou comprar logo que puder - de Amantes e Rainhas: O Poder das Mulheres, de Benedetta Craveri, onde ela fala sobre as grandes mulheres que reinaram e influenciaram grandes monarcas franceses, de Diana de Poitiers a Maria Leszczynska (pelo que deu pra ver no Google Books, mas duvido que não fale sobre Maria Antonieta), passando por Catarina de Médicis, Rainha Margot e, a que eu mais quero ler, Maria Mancini - o primeiro e grande amor de Luis XIV (já falei da minha atual fixação nele? :D).

15 - Uma fotomontagem

Lembranças de faculdade...

16 - Uma música que faz você chorar (ou quase)



Tem um motivo. Que também não vem ao caso.

17 - Uma obra de arte (pintura, desenho, escultura, etc)

A estátua de Athena em frente ao parlamento da Áustria sempre me deixa extasiada...

18 - Um poema

Autopsicografia
Fernando Pessoa
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

Clichê, eu sei. Mas não podia ser outro.

19 - Um talento seu

Putz. Não faço ideia. Escrever, talvez. Facilidade com a língua portuguesa, facilidade em "decorar" regras de Português e talz. Dizem também que sou uma boa ensaiadora (na dança - me apego a detalhes). Ah, sei lá. Quem me conhece que diga.

20 - Um hobby

Ler, ir ao cinema, joguinhos na net, sair com amigos... Coisas assim. Básicas, simples e clichês.

21 - Uma receita

Uma receita portuguesa com nome de "francesinha", que já foi feita por uma brasileira! :D

Francesinha:
4 ovos
8 folhas de alface
1 tomate
1 cebola
12 fatias de pão de forma
8 fatias de queijo

Molho:
1 cebola
1 dente de alho
25g de margarina
2 tomates maduros
1 colher de sopa de polpa de tomate
1 dl de vinho branco
4 dl de caldo de legumes
sal, pimenta e hortelã

PREPARAÇÃO:

Francesinhas:
Primeiro cozinhe os ovos e corte-os em rodelas.
Lave as folhas de alface, disponha-as sobre as fatias de pão. Por cima coloque o queijo e acrescente o tomate, a cebola e os ovos. Enriqueça o seu interior com agriões e espinafres cozidos, rodelas de pepino e cenoura ralada, ou o que mais quiser.
Repita a operação terminando com a fatia de pão. Ficará com 6 francesinhas que deve cobrir com queijo. Leve-as ao forno a uma temperatura de 200 graus. Deixe o queijo derreter.
No final verta o molho por cima das francesinhas. Utilize hortelã para decorar e sirva de imediato.

Molho:
Primeiro faça um refogado com manteiga utilizando cebola e alho picado. Junte o tomate, depois de lhe ter retirado a pele e as sementes, e acrescente a polpa de tomate. Tempere com sal e pimenta, e envolva tudo muito bem. Junte-lhe vinho e deixe cozinhar uns minutinhos, até acrescentar o caldo de legumes. Deixe ferver e verifique se os temperos estão a seu gosto.

22 - Um site

Pô, isso depende muito. Um site pra que? Tenho sites pra quase tudo. Utilitários, redes sociais, sites temáticos... Bom, então vou nos blogs. Dois dos que leio há mais tempo são o do Antonio Tabet, o hoje famoso Kibeloco, e o da Ana Mangeon. O primeiro, um humor escrachado que não perdoa nada, e o segundo de poesias e pensamentos de uma ótima escritora. Ambos valem muito a pena.

23 - Um vídeo do Youtube

Já coloquei dois aqui, mas voilà. São muitos, mas vou puxar a brasa pra minha sardinha e indicar um videodança ótimo.



24 - Seu lugar preferido

Meu quarto. O IFCS. À beira mar. Montanhas. Casa de amigos. Depende de como eu estiver me sentindo (mas tenho uma paixão inexplicável por Petrópolis).

25 - O que você espera, os sonhos e planos para os próximos 365 dias

Paz. Saúde na família. Um mestrado. Uma bolsa (de estudos, óbvio). Um cara que valha a pena investir. Grana, viagens, encontro entre amigos e talz. Coisas básicas. :)

C'est ça. Post enorme, que duvido que alguém tenha paciência pra ler, mas eu me distraí fazendo. Omiti 6 itens porque acho que não caberiam, mas o resto tá aí.

Mundo Ideal


Meio óbvio, não?

Já falei aqui do meu mundo ideal?

Então. No MEU mundo ideal, as coisas funcionariam 24h, todos os dias da semana. TODAS as coisas. Banco, supermercado, posto de gasolina, padaria, papelaria. Porque, né, gente-vampiro como eu (e, não, eu não viro purpurina ao sol, como o guri lá do Crepúsculo, eu viro cinza mesmo, como os vampiros heteros) não suportam sair durante o dia - especialmente um dia no Rio de Janeiro. Porque alá, estamos em pleno inverno e pela janela eu vislumbro um sol cegante e sinto na pele cada um dos cerca de 40°C que tá fazendo sem precisar sair de casa. Mas sou obrigada a sair assim mesmo, porque as coisas têm hora certa pra funcionar - e é a mesma hora pra todo mundo! Alguém mais vê a idiotice disso? Vai todo mundo ao mesmo tempo pro trabalho: engarrafamento. Volta todo mundo ao mesmo tempo pra casa: engarrafamento. Cazzo, depois reclamam! Coloca tudo pra funcionar o tempo todo, com equipes em turnos, que o país só tem a ganhar, ó: O horário de rush é diluído; você não precisa sair do trabalho correndo pra ir ao banco, ou fazer compras, ou passar na farmácia, ou comprar uma caneta; você teria o que fazer nas noites de insônia, ainda que seja lamber vitrine, ir ao cinema (magina, cinema às 3h da manhã, que delícia!); a economia ia ficar tão aquecida que pegaria fogo; o desemprego diminuiria drasticamente, quiçá seria eliminado; consequentemente, é provável que a criminalidade também caísse, porque os pivetes teriam o que fazer ao invés de ficar enfiados em bocas de fumo. Por que ninguém pensa nisso?? Eu voto num candidato que tenha essa plataforma de governo!

No meu mundo ideal, os relacionamentos seriam bem objetivos: Quer? Quer. Não quer?


Mas não. Tem gente que adora fazer um joguinho. Fazer cena. Encher o outro de esperança só pra massagear o ego - e não interessa se o outro mencionado REALMENTE tá apaixonado. O ego é mais importante. No meu mundo ideal, quem fizesse isso levaria umas 500 chibatadas e um banho de sal a seguir, pra deixar de ser besta (não, neste momento eu não estou passando por uma situação assim; mas atire a primeira pedra quem nunca passou).

No meu mundo ideal, os candidatos teriam que fazer algo ANTES de serem eleitos. Quer dizer, você tem tanto do orçamento disponível, e tem a vida toda controlada (telefone, conta bancária, etc, pra não sumir com o dinheiro, óbvio). Quem souber administrar melhor essa grana ganha - e aí fica no poder, sei lá, quatro anos. Se não corresponder à expectativa que criou, fica inelegível ad infinitum. Se corresponder, pode se reeleger quantas vezes o povo quiser, é só passar pelo mesmo processo junto com os outros. E ter MUITA criatividade, claro.

No meu mundo ideal, bandidos seriam deportados pra uma ilha perdida no meio do Pacífico, e largados lá. SE conseguissem alcançar o continente A NADO, aí teriam algum atenuante de pena. E só assim.

No meu mundo ideal, os únicos pelos do corpo humano que existiriam seriam os cabelos - e não existiriam carecas. Pra que tanto pelo? A gente já usa roupas pra se proteger do frio (frio? No Rio de Janeiro? QUE FRIO???), vamos evoluir, né, humanidade?! Chega de pelo.

No meu mundo ideal as mulheres só poderiam ter, no máximo, três filhos. E depois disso o corpo se auto-infertilizaria automaticamente. PRA QUE tanta criança no mundo, minha gente?! O mundo já tá populoso demais, né?!

Bom, essas são só algumas ideias pra melhorar nosso mundinho que, de ideal, não tem nada. Agora não posso continuar, porque, como não vivo no meu mundo ideal, preciso encarar o inferno que tá fazendo lá fora. Ah, só pra finalizar: NO MEU mundo ideal, toda a parte habitável do planeta teria temperaturas aprazíveis, oscilando apenas entre 10°C e 25°. Isso melhoraria bastante meu mau humor...

* Os posts tendem a rarear graças a monografias sem fim, projetos e concursos de Mestrado, além de outros problemas que tô com preguiça de listar. Sim, a preguiça não seria pecado no meu mundo ideal.

Sexy a metro?


A vaidade sempre esteve em voga nas sociedades de todos os tempos. Na Grécia Antiga, ter um belo corpo era sinal de ser um bom cidadão. Para os romanos, mens sana in corpore sano. Salomão, o mais sábio rei judeu, (teoricamente) teria dito "vaidade, tudo é vaidade". E ela então, com o passar do tempo, virou um pecado capital.

O problema é que no mundo midiático de hoje, aparência começa a ser tudo. Mulheres morrem nas mesas de cirurgia fazendo lipoaspiração de gorduras muitas vezes quase inexistentes. As academias vivem lotadas de pessoas em busca do corpo "perfeito". Cosmética, estética, são ramos cada vez mais em expansão. Normal, acho. A partir do momento que você vive num mundo tão "exposto", é razoavelmente presumível que se preocupe com como vai aparecer. Só que o povo às vezes perde a linha.

O conceito de metrosexual por exemplo, pra mim, é bizarro além da compreensão. Mas, antes que eu explique porque não gosto disso, cabe esclarecer algumas coisas.

Primeiro: Eu não gosto de ogro. Homem das cavernas. Não gosto do tipo que anda com barba por fazer, camiseta suja, bermuda rasgada e unha encardida e acha que cuspir no chão e coçar o saco em público é sinal de masculinidade. Óbvio que higiene e certa dose de vaidade são recomendadas. Acho bonito homens com unha bem feita (embora eu ache um porre fazer as minhas) - a base é até dispensável, acho. Mas não me incomoda, se usada. Não me incomodaria nem com, guardadas as devidas proporções, homem que tem costume de se depilar - eu não gosto de pelos. A barba, em especial, me incomoda horrores por eu ter uma pele muito sensível e ficar toda arranhada depois de "certos" beijos. Peito lisinho, rosto lisinho, eu fico feliz até esse ponto. O cara saber se vestir discreta e elegantemente também faz minha cabeça.

Agora, ó; se o camarada começa com frescura demais, com enfeitação demais, já perde a moral comigo. Não entra na minha cabeça esse pessoalzinho que perde horas se olhando no espelho. Narciso não é meu personagem preferido na Mitologia Grega, fica a dica.

Daí, minha amiga, realiza a cena: Você em casa, dando os toques finais pr'aquele encontro especial - ou pra alguma festa, que seja -, preocupada com o horário porque está super atrasada (como o salão fica cheio nas sextas!), e não vai demorar muito aquele gato com quem você tá saindo vai tocar o interfone, provavelmente bufando. Afinal, homem se arrumar é fácil, né? Toma um banho, faz a barba, coloca uma camisa, uma calça e um sapato e tá pronto. E você lá, com uma dúvida terrível, quase a ponto de chorar, sem saber se vai com o scarpin preto ou com a sandália roxa.

O telefone toca. Estranho. Se fosse o gato, ele tocaria o interfone. Não?

- Alô.
- Oi, linda.
- Ah, oi! Pois é, desculpa, eu tô um pouco atrasada, mas é que...
- Nada, relaxa. Eu tô ligando justamente pra avisar que vou me atrasar mais uma meia hora, porque minha manicure não tinha a cor de esmalte que eu queria, e isso acabou me enrolando aqui... E, pô, é aquilo, não é qualquer tom que combina com a minha camisa beterraba, né?

Para tudo.

Quer dizer... Eu sou mulher, e pra mim beterraba é coisa de comer. Como assim o esmalte não combina com a camisa, cara-pálida?!

O diálogo pode parecer surreal, mas juro que não acho impossível de acontecer com gente tipo Cristiano Ronaldo, que combina o esmalte com a sunga. E eu acho que estamos vivendo uma epidemia de homem assim.

Eu sei que não sou exatamente um exemplo de mulher fashion. Não ligo pra moda. Se for preciso, me arrumo em quinze minutos, tenho horror a salão de beleza (vou eventualmente cortar meu cabelo e olhe lá), e uma preguiça de mais ou menos infinito + 5 pra fazer as unhas. Só penteio o cabelo quando lavo (mais pra espalhar o creme sem enxágue do que por qualquer outro motivo), e meu uniforme de dia a dia é tênis, jeans e camiseta. Não sei diferenciar uma grife da outra (aliás, em geral eu nem presto atenção a isso), e coisas como bordeaux, salmão e beterraba são, pra mim, vinho, peixe e legume, respectivamente. Mas tenho minhas vaidades pontuais e, ainda que não pareça pela lista acima, sei me cuidar. Gosto que homem saiba se cuidar também, e tenha uma vaidade ou outra. Agora não dá é pra aguentar o cara querer competir comigo horário de depilação e esconder meu rímel na gaveta de cuecas dele, né?!

Problema de cabeça


O assunto do momento, claro, é o caso do ex-goleiro do Flamengo, Bruno, suspeito de sequestrar e assassinar a ex-amante e mãe de um suposto filho seu.

Tirando os orgasmos múltiplos que a torcida arco-íris (ou seja, anti-flamenguistas) andam tendo com essa história, achando que encontraram a prova definitiva pra sua falácia de que Flamengo é time de bandido - como se jogadores não fossem a coisa mais volátil do futebol, hoje estão aqui, amanhã estão ali -, eu acho que tem muito mais no que pensar sobre essa história do que a barbaridade com que o caso foi relatado pelo tal menor. Até porque, vamos combinar, a humanidade nunca primou pelo respeito à vida; basta dar uma olhadinha nos métodos de tortura medievais que o tal "Neném", que supostamente matou e esquartejou a moça servindo-a de jantar pros seus bichinhos de estimação, vira quase um santo. Ela pelo menos foi dada aos cães já morta; lá em Roma os caras eram dados aos leões vivos mesmo. E o povo achava graça.

Mas enfim, não é sobre o sadismo inato do ser humano que eu ando pensando; é na nossa cultura podre, imbecilmente burra e machista. É ela que tem causado situações como essa.

Pra começo de conversa, homem é criado pra pensar com a cabeça de baixo. E por isso se mete em tanta enrascada. Pode ver, a maioria emagadora de merdas que acontecem são causadas por homens. Por que? Porque pensou com a cabeça de baixo, obviamente.

Queridos machos da espécie; conformem-se. Vocês mal conseguem administrar uma mulher por vez, vão tentar se meter com mais de uma PRA QUE? Porque a cabeça de baixo manda, não é? Aí vocês ignoram totalmente que a que foi feita pra pensar foi a de cima, e vão fazer besteira, felizes e contentes. Sim, porque aquele velho argumento de "instinto" já caiu por terra cientificamente. A menos que você tenha o cérebro de um cachorro ou algo semelhante, teoricamente o cérebro humano é evoluído o suficiente pra não dar vazão a seus instintos. Ou você ataca um vendedor de cerveja quando tá com sede? Se não, sinto muito, mas a desculpa do instinto já não cola mais.

Se você é um homem trabalhador, dos que não ganham mais de duzentos mil pra brincar de bola, provavelmente te disseram que "ser o garanhão", ser o macho alfa, o homem com H maiúsculo é ter sua esposa e dar umas puladas de cerca eventuais. Só pra desestressar, sabe como é. Sua querida esposa nunca vai desconfiar, afinal, as mulheres não pensam nisso. Pois ó, dica: esquece. As mulheres SEMPRE SABEM quando isso acontece. As que não sabem é porque fazem questão disso. Se você deu a "sorte" de encontrar uma assim e tá pouco se lixando pra felicidade dela, vai na fé. Seja egoísta. É, egoísta mesmo. Não, NÃO EXISTE essa onda de que vocês têm mais necessidades sexuais do que as mulheres (a menos que se enquadrem na categoria dos cérebro-de-cachorro mencionado mais acima). Queridos, entendam; vocês não são espertos o suficiente pra esconder. Vocês não sabem mentir. Aí sua esposa encontra a prova cabal da merda que você fez, só pra "desestressar", e olha a dor de cabeça. Tá estressado? Vai pescar. Economiza uma grana com peixe e não arruma mais problema. Ou então se muda pra Arábia Saudita e casa com mais de uma.

A coisa complica quando se trata dos deslumbrados que ganham cifras acima de seis dígitos. Porque, esses sim, só pensam com a cabeça de baixo MESMO. Usam a de cima pra cabecear a bola se for jogador de linha; no caso do Bruno, nem pra isso, como se vê. Esses acham que estão abafando em suas orgias com várias mulheres ao mesmo tempo. Olha, a equação é simples, mas vou tentar desenhar; vocês têm, em média, dez por cento do cérebro de uma mulher. Se juntar três, meu filho, você tá MUITO em desvantagem. Essas das "festinhas particulares", em especial, sabem ser muito mais espertas do que vocês jamais serão, porque conseguem seu dinheiro enquanto vocês, otários, trabalham (se é que jogar bola pode ser considerado trabalho, mas pulemos essa discussão filosófica). Depois não adianta chorar ao ter que pagar pensões até ir à falência, como o Romário, pagar mico público com travestis como o Ronaldo, ou até tentar resolver a coisa de uma forma mais "definitiva", como o Bruno. Optem pelas relações curtas, mas monogâmicas - e sempre com preservativos, obviamente. Ou façam vasectomia. Sério, vocês vão ser bem mais felizes e usufruir melhor seus milhões.

Se um dia eu tiver um filho, definitivamente o maior ensinamento que posso dar a ele é: Pense SEMPRE com a cabeça de cima. Você vai se dar bem, acredite.

O provincianismo blogueiro ainda sobrevive

Eu não posso me considerar uma dinossauro em matéria de computador e internet; comecei a dar meus primeiros passos em 2000, e conheço gente que já tá no batente há muito mais tempo (ok, nem tanto assim, porque a internet ainda era meio que novidade naquele tempo). Mas assim que me pluguei à WWW, comecei a adentrar tudo que havia de interessante no meio - ou pelo menos tudo que parecia interessante a mim. Descobri o que eram e para que serviam os fóruns, as listas de discussão, e, supra-sumo da novidade, os blogs.

Sim, meus caros, lá pros idos da virada do milênio, a grande sensação eram os blogs.

Numa época em que Antonio Tabet ainda era um ilustre desconhecido com seu Kibeloco, Clarah Averbuck era uma gaúcha batendo a cabeça sem dinheiro em SP e contando suas desventuras no brazileira!preta - e apenas sonhando em escrever livros, enfim, numa época em que o Blogger se resumia a praticamente uma caixa de texto, onde você tinha que inserir tudo manualmente, de imagens e comentários a layout, tudo à base de html, o mundo dos blogueiros parecia uma cidade pequena. Não havia redes sociais (o Orkut só surgiu quatro anos depois), e a divulgação era muito feita através de boca a boca, através de comentários que muitas vezes viravam verdadeiros chats. Você tinha que ver pra ser visto, visitar pra ser visitado. E na maioria das vezes isso não era feito com essa intenção; você simplesmente gostava do comentário de alguém, ia visitar o blog do cara, e o favoritava.

Eu sou dessa época. De uma época em que o marketing pessoal era feito através da disseminação de ideias e baseado na curiosidade alheia.

Hoje em dia as coisas estão um pouco (muito) diferentes. O mundo dos blogs se transformou numa pauliceia desvairada, uma espécie de Las Vegas da World Web, com anúncios em neon e recados em blogs famosos e/ou com uma grande quantidade de visitantes e comentários pedindo, quase implorando "visita meu blog?", "deixa um comentário!". Os anúncios nas redes sociais viraram quase spam. No Twitter você vê perfis dedicados a este ou aquele blog, twittando e retwittando milhares de vezes o anúncio de um novo post. MSN, Orkut, Facebook - tudo é usado como lugar de propaganda na busca do sucesso e de seus quinze minutos de fama (retratados, pelo que percebi, na quantidade de comentários por post).

Não critico quem faz esse tipo de marketing massivo (embora alguns realmente já estejam começando a se assemelhar DEMAIS com spam e, com isso, me deixando irritada). Parece uma saída inteligente diante da enorme quantidade de informação a que estamos submetidos hoje em dia com redes sociais e ferramentas como o Google Reader. Eu só não consigo usar. Relutei algum tempo antes de colocar novamente, depois de muitos anos, o endereço do meu blog em meus perfis públicos. Relutei mais ainda a usar uma ferramenta do Facebook que anuncia na timeline dos meus amigos quando há um post novo. E ainda não me convenci a fazer o anúncio de novos posts via Twitter e Orkut. Pra mim, isso ainda se parece muito com propaganda não solicitada - leia-se spam.

O mundo da internet e dos blogs está gigantesco demais. As cidades pequenas de outrora, com suas panelinhas e seus nomes importantes, de repente ganharam ares de grande metrópole, com imigrantes de todos os lados, de todas as idades, todos achando que têm muita coisa a dizer e querendo - mais do que isso, aparentemente PRECISANDO - ser ouvidos (ou lidos, no caso). Não os culpo, não os critico; eles estão de acordo com o mundo virtual de hoje. Eu que não me adapto. Na verdade, embora eu procure sempre estar a par das novidades desse mundo que não para, acho que ainda sou muito provinciana pra certas coisas.

Das verdades inalienáveis

Algo que sempre me incomodou foi o pensamento de que as igrejas fazem "lavagem cerebral" em seus membros. Okei, vamos lá, eu sei que pipocam igrejas de fundo de quintal que pretendem apenas tirar o dinheiro dos incautos - mas sei também que ninguém te obriga a fazer nada que você não queira. Até pra ser hipnotizado é preciso uma certa propensão. Não é todo mundo que consegue. A questão é a seguinte: Pra mim, só sofre lavagem cerebral quem quer, ou quem já tem uma certa inclinação pra paixões cegas.

E aí nós temos os fanáticos, donos da verdade absoluta, que não admitem ser questionados. Comecei o texto falando das igrejas, mas isso não é privilégio religioso. Você ama tanto o Flamengo que é quase uma religião pra você? Sabe a escalação na ponta da língua e chora quando ele perde? Você é um fanático. Você já assistiu a Star Wars 179 vezes, sabe o nome de cada personagem, planeta de origem, história de vida e como morre (ou não)? Você é fanático. Você já leu todas as obras de Tolkien, sabe, inclusive, falar Sindarin ou Quenia? Você também é fanático. Você sabe exatamente como mover sua varinha e quais palavras recitar pra fazer um feitiço pra abrir uma porta trancada? É, meu amigo, você não escapa: fanático. Todo mundo tem seus fanatismos, em maior ou menor grau; a diferença é como você lida com eles diante de quem tem opinião contrária a sua, ou nem liga pro seu objeto de paixão. Hoje aconteceu uma situação no Twitter que me levou a pensar a respeito. Uma amiga, brasileira, casada com um americano e com dupla cidadania, simplesmente se irritou pela minha torcida a favor de Gana no jogo pela Copa do Mundo, e começou a ofender O BRASIL (oi????) por causa disso, culminando com um "Fuck you, USA haters!" quando saiu o gol americano. Ela não citou meu nome em lugar algum, e por isso eu não comecei uma briga infinita (e também porque eu ando no ritmo do Jairinho, do Chaves: "quero evitar a fadiga"), mas, quer dizer, faz sentido ofender seu próprio país e uma amiga por causa de um jogo de futebol?! Eu tenho minha posição ideológica com relação aos EUA, nunca escondi isso dela nem de ninguém. Respeito quem pensa diferente; com certeza tem seus motivos, assim como eu tenho os meus. E respeito também o direito que cada americano nato ou naturalizado, ou simplesmente alguém que seja apaixonado pelo país, tem de expressar esse amor. Acho bonito. Mas eu não acho bonito que se irritem quando EU expresso minha opinião, e tentem me convencer do contrário. Um americano falar mal do meu país, tá, eu até entendo. Vamos ficar numa discussão eterna, porque eu também tenho munição pra detonar o país dele, mas é cada um na sua. Ele, feliz lá, eu, feliz aqui. Mas daí a uma brasileira fazer isso em prol do país alheio - mesmo sendo o país do amor da vida dela e da filha, ainda assim, era necessário? E tudo por causa de um esporte que nem é tão famoso assim por lá?? É difícil de entender. E pior é ainda se sentir ofendida. Quer dizer, eu recebo um "fuck you" indireto e ela se sente ofendida. Então tá.

Pra mim o assunto morreu pouco depois do apito final do juiz. Não bati boca, comemorei, sem provocações desnecessárias, uma brincadeira aqui e ali como fiz com a desclassificação da França e Itália, e só. Continuo considerando-a minha amiga como antes, continuo gostando dela como sempre gostei. Acho a filhinha dela (americana) linda, assim como fico feliz por saber que ela está feliz vivendo lá. Mas, oi? Não, eu não amo os EUA, não, eu não acho que lá é o paraíso na Terra, aliás, não tenho um pingo de vontade de conhecer o lugar. Tenho medo da lavagem cerebral que eles fazem, te convencendo que o "American Way Life" é o modelo ideal de vida pro mundo todo. Tenho medo da liberdade mentirosa que eles vendem, e que só serve para os próprios americanos - você pode usufruir dela desde que siga a nossa cartilha. Eu sempre tenho muito medo daquilo que tenta limitar minha liberdade de pensar e expressar minha opinião, em prol de uma verdade absoluta. Embora atribuam essa frase a Voltaire, e não seja, ela resume bem os princípios apregoados pelo filósofo, além de se encaixar como uma luva com o que eu penso e tenho tentado (a muito custo, é verdade) viver: "Não concordo com uma só palavra do que dizes, mas defenderei até a morte o teu direito de dizê-lo". Tenho amigos e conhecidos que estão torcendo contra o Brasil, na Copa. É um direito deles. Até porque, torcida não muda um milímetro o resultado, e não vou me indispor com eles por causa disso. Sou Flamenguista, razoavelmente apaixonada pelo meu time, mas já namorei um vascaíno - e nunca brigamos por causa de futebol. Sou evangélica, mas tenho amigos que são católicos, evangélicos tipo "rato de igreja", espíritas, umbandistas, agnósticos, ateus, e não me indisponho com nenhum deles por terem verdades diferentes das minhas. Até converso, quando o assunto surge, argumento, mas sempre mantendo a ideia que: você pensa de um jeito, eu penso de outro.

Pense bem sobre suas verdades absolutas, e até que ponto você tenta convencer os outros delas. Elas são absolutas pra você; podem não ser (e provavelmente não são mesmo) para o resto do mundo.

Foi gol de quem?

Daí que já tava demorando pra eu falar de Copa do Mundo.


E eu acho que hoje é um bom dia pra isso, já que eu sou capaz de enfiar a cabeça daquele juiz francês safado e ladrão na parede ao ritmo do REBOLEICHÃO-CHÃO, se ele me cruzar pela frente. E fazer o mesmo com os cavalos da Bosta do Marfim, se houver tempo. Disposição não me falta, depois da inépcia do mentecapto que apitava o jogo, e do monte de trava de chuteira que aqueles elefantes mostraram pra seleção canarinho. Como li no Twitter, os elefantes saíram com a tromba entre as pernas e o marfim enfiado no...

Bom, mas não era exatamente sobre isso que eu pretendia falar. É só um dos poucos meios virtuais onde eu ainda não havia destilado minha revolta (Facebook, Orkut e Twitter já foram. Inclusive meu avatar nesses sites é a bandeira de Portugal, porque eu estou na campanha pro Brasil entregar o jogo pros lusos e mandar a Bosta do Marfim de volta pra casa, já que eles já estão ali por perto mesmo).

Mas voltando a (ou melhor, iniciando) o assunto, já deveria ter passado a época em que se dizia que futebol é um esporte essencialmente masculino. A Alinde, inclusive, escreveu um bom texto sobre isso há pouco tempo. Hoje em dia a maioria das mulheres tem acertado mais os bolões do que os homens. Já sabemos quem é aquele cara de camisa destoante que fica pra lá e pra cá no meio dos jogadores.

Eu sou um árbitro francês babaca!

Sabemos também para que serve o gol (aliás, acho que sabemos melhor do que a maioria das seleções que estão presentes nessa Copa do Mundo, diga-se). Algumas mais abusadas (oi?) sabem até, vejam vocês, o que é tiro de meta e onde fica a intermediária! Algumas (oi?) podem se dar ao luxo de discutir se foi falta pra cartão e se o cara estava impedido ou não. Algumas sabem que o Dunga foi uma toupeira por não tirar o Kaká de campo hoje depois que ele tomou o primeiro amarelo, mas isso não vem ao caso.

Acho que os homens andam meio desconfortáveis com esse cada vez maior domínio feminino no esporte bretão (país de origem que, pelo que tem demonstrado nesta Copa, esqueceu como faz). Eu acho bobagem. Por exemplo, não concordo que o Dunga deveria ter convocado Ganso, ou Pato, ou qualquer ave do tipo; a Marta é que ia dar show naquele tédio que tem sido embalado pelo som das vuvuzelas. Sentem-se incomodados só porque o "sexo frágil" tem invadido a grande área e entrado com bola e tudo? Nah.

O fato é que já caiu num clichê muito do errado isso de que futebol é esporte pra macho. Recentemente ouvi, de um exemplar da espécie, que num jogo nós temos "quatro flanelinhas". Além de rir com o aumento da escalação e da mudança de função dos nossos queridos (ou não) bandeirinhas, devo dizer que simplesmente adorei a gafe esportiva. Adoro quando homem não entende PN de futebol; porque, em geral, quando entende, é fanático. Eu entendo (bastante, modéstia à parte), mas não vou deixar de sair com meu namorado / noivo / marido pra poder ver a final de um campeonato, ainda que seja meu time disputando o título (a exceção é a final da Copa se o Brasil estiver lá, mas aí também, né?!). Depois eu vejo o resultado. A pessoa que tá do meu lado é mais importante que 20 marmanjos correndo atrás de uma bola, tentando acertá-la numa rede enquanto outros 2 têm por função não deixar. A lógica masculina tende a não ser por aí, infelizmente. Por isso tantas mulheres outrora raivosas com o esporte. Mas, espertas que somos, já entendemos; se não pode com eles, junte-se a eles.

Bem, o caso é que a mulherada gosta, sim, de futebol. Hoje eu já ofendi aquele francês safado dizendo que ele deveria voltar pra França com a merda da sua seleção (meus amores franceses, Louis XIV e Emmanuel Moire, que me desculpem), já desejei que a Bosta do Marfim levasse porrada da Coreia a ponto de uns três ou quatro saírem contundidos e, eu que não sou muito de falar palavrão, escrevi em alto e bom som pra todos os meus seguidores lerem, que desejo que eles vão pra PQP. Futebol é isso aí. É vibrar, é gritar gol, é xingar juiz safado e ladrão (como esse francês de hoje), é torcer contra a própria seleção desde que ferre esses africanos cavalos da Bosta do Marfim (PORTUGAL! PORTUGAL! PORTUGAL! \o/\o/\o/)... Mas, no fim das contas, ainda que você seja uma mulher que não entende nada além das cores da camisa da seleção brasileira (e faz confusão quando ela joga com a azul), provavelmente também tá curtindo a Copa. Porque, vamos combinar, com essa nova moda de camisa justinha ao corpo somada às coxas dos jogadores, vale ou não vale a pena assistir aos jogos? Até porque, pra maioria de nós, quando olha pro lado o que vê é bem diferente... Então aproveita pra olhar, já que olhar não arranca pedaço, e, pela lógica masculina predominante, nem constitui traição. ;)


P.s.: Se você é um exemplar da espécie e se sente ofendido pelas mulheres assistirem aos jogos pra admirar o físico dos jogadores, deixe de ser hipócrita. Ou você acha que somos idiotas de acreditar que vocês homens gostam ou sequer prestam atenção a um jogo de vôlei ou tênis feminino?!

O mundo tá muito mudado...


Professora amarra e amordaça aluno de 5 anos em Brasília

Uma professora do Distrito Federal é suspeita de ter amarrado e amordaçado uma criança de cinco anos com fita adesiva em uma escola de Brasília nesta quarta-feira (16). O menino estuda na primeira série de uma escola pública da cidade. A professora foi afastada do trabalho.
Fonte: G1

Eu tenho a ligeira sensação de que, ao invés de estarmos criando crianças pra se tornarem adultos mais preparados e humanos, estamos, na verdade, criando monstros em potencial.

Em primeiro lugar, eu não acho certo o que essa professora fez. Não defendo pais que espancam os filhos. Mas com todas essas leis que pretendem pseudoproteger crianças e adolescentes, hoje em dia se você gritar com um menor de 18 anos é capaz de ir preso. Enquanto isso, pirralhos de 13, 14 anos acham que são gente e ameaçam professores, riscam seus carros e vandalizam escolas.

Não sei vocês, mas tenho a impressão que essas leis não estão funcionando.

Todos que conheço da minha geração já tomaram surras homéricas dos pais quando crianças. A maioria delas bem merecidas. E ninguém virou marginal ou ficou eternamente traumatizado por causa disso. Pelo contrário, a maioria se lembra em meio a risadas, contando como eram encapetados e o trabalho que deram aos pais. Uns poucos reclamam do exagero de rigor nessas surras, mas nem por isso se transformaram em indivíduos perigosos à sociedade. Muito pelo contrário. São pessoas de bem, trabalhadoras, que ajudam ao próximo, muitos deles já com filhos. Um pouquinho antes, na geração anterior, os professores educavam seus pupilos na base da palmatória. Não faz muito tempo não; tenho uma vizinha, senhora já idosa, com seus 94 anos, que foi professora a vida inteira e educou muita gente nesse ritmo. E, no entanto, não há um único aluno que, ao vê-la no portão, não pare pra lhe dar um abraço.

Masoquistas?

A questão é a seguinte; castigos corporais sempre fizeram parte da vida do ser humano - os espartanos que o digam. Antes de me crucificarem, pensem; quantas vezes você apanhou quando era criança? Ou por ter dado uma resposta atravessada, ou por ter desobedecido... Mas você aprendeu a ter limites. Aprendeu que existem regras. Aprendeu que o mundo não gira ao redor do seu umbigo, noção natural dessas miniaturas de gente. Foi agradável? Óbvio que não. Doeu. Magoou. Provavelmente você ficou triste e chateado com seu pai ou sua mãe durante algum tempo. Mas passou - embora a lição tenha ficado.

Aí me vem essas leis neuróticas tratando criança como se fosse de cristal. Você não pode tocar nela sob pena de transformá-la em adultos traumatizados, rancorosos e perigosos. Ah, faça-me o favor! Joga fora 90% da humanidade então, porque não presta. E até que ponto isso tem funcionado? Até que ponto nossas crianças de hoje são mais bem educadas, respeitadoras e felizes? Criam esses pirralhos como se fossem os reis do mundo e depois, quando se deparam com o mundo de verdade, não sabem como lidar com frustrações. Porque, ao invés de criar leis pra enfiar as crianças numa redoma de proteção fictícia, não estabelecem um controle de natalidade? Sim, porque as pessoas que têm menos condições e estão menos preparadas são justamente as que têm mais filhos. E consequentemente as que jogam a educação pra cima dos professores e superlotam as escolas com seus rebentos catarrentos.

A mãe desse garoto de Brasília diz, na reportagem, que "ela [a professora] não tem nenhum preparo para cuidar de criança." A reportagem informa também que a professora se aposenta no fim do ano. Agora pensemos. Alguém que trabalhou a vida inteira educando não tem preparo? Ou será que essa criatura que despejou esse ser no mundo é que não tem preparo pra ser mãe, e não soube educar sua "crionça"? Ah, sim, muito fácil (e delicioso) fazer filho, muito fácil (e nem tão delicioso assim, imagino) botar filho no mundo, mas educar que é bom larga na mão dos outros, né? A professora que se vire pra dar limites a uma turma com 20, 30, às vezes mais pestes. Não há ser humano que aguente. E, quando uma perde a cabeça, é condenada pelo país e pela mídia.

Mais uma vez: Não estou defendendo a atitude da professora. Estou questionando a postura dos pais e a intervenção do Estado com esse monte de lei surreal com relação às crianças. E agora essa lei estúpida das cadeirinhas nos carros? Novamente: Quem tem filho pequeno E carro, na minha opinião, deve, sim, ter esse tipo de segurança para seus filhos. Óbvio. Mas vamos supor que você tem filho mas não tem carro, e aceita uma carona. Se for pego na fiscalização, o dono do carro se ferra e, de quebra, você perde a carona. Inteligente, não? Vai de ônibus. É suuuuuuuuuuuper mais seguro. Além do mais, a cadeirinha é diferente pra cada fase, viu? Preparem os bolsos. Como diria a grande educadora das crianças da minha geração, Xuxa Meneghel, "aham, Cláudia, senta lá".

Na minha época criança ia no banco traseiro, ajoelhada, dando língua pros motoristas que vinham atrás. E todos eram felizes com isso.

Ok, os tempos mudaram, há mais carros, mais acidentes, yadda, yadda, yadda. Não sou alienada e sei disso. O problema para o qual quero chamar atenção é quando o estado resolve intervir com força coercitiva numa situação onde deveria agir de forma educativa. Sim, porque a questão aqui é bom senso. Assim como no caso nos castigos corporais.

O negócio é o seguinte: É melhor me prender logo, porque os meus filhos (quando e se os tiver) pretendo que sejam educados com muita conversa, mas se necessário vão apanhar sim, vão levar chinelada se me responder torto, vão tomar uns tapas se forem malcriados comigo (ou com quem quer que seja), mas também vão receber um mundo de carinho, afago e incentivo. Porque é assim que o mundo é; você leva porrada, mas também encontra carinho e conforto com as pessoas que ama. E tenho certeza que não vão se transformar em monstros ou criaturas traumatizadas por causa das surras - eu e, sei lá, 90% da minha geração não nos transformamos - e, além do mais, provavelmente os professores vão me agradecer por cumprir meu papel de mãe e por não precisar amordaçar meu pestinha. Eu levei minhas surras quando criança e, o máximo que aconteceu, foi minha mãe ser chamada na diretoria porque eu bati num coleguinha que tava me apurrinhando na segunda série. Coisa de criança, que se estapeia e pouco depois já tá brincando junto de novo. Mas sempre respeitei os mais velhos.

*É possível e muito provável que várias opiniões que dei aqui mudem quando (e se) eu tiver meus rebentos. Talvez mudem amanhã, ou daqui a meia hora. Mas é isso que eu acho neste momento.

Vai que é tua, Twitter!!!!

No dia 10 de junho de 2010 teve início a Copa do Mundo na África do Sul, a primeira Copa da História no continente africano. São 32 seleções representando países dos cinco continentes, entre elas o Brasil, em busca do hexa campeonato, feito inédito até agora. Mas, aparentemente, não era isso que chamava a atenção de milhões de brasileiros.

Ééééééé do Brasil!!!!!

Logo na festa de abertura, Galvão Bueno, narrador esportivo da Rede Globo, despertou a fúria de centenas de usuários do Twitter que começaram a postar compulsivamente a tag "Cala Boca Galvão". Mas quem twittou sua revolta durante a cerimônia de abertura da Copa não imaginava a extensão que a coisa tomaria. Após alcançar o Trending Topic (rank que elenca as palavras mais usadas no microblog em nível nacional e mundial), usuários de outras nacionalidades e que não entendiam Português começaram a se perguntar "Who is Cala Boca Galvao?". Aí a brincadeira perdeu o controle.

Cala Boca Galvão!

Várias histórias correram. Paulo Coelho, por exemplo, postou em sua conta que "CALA BOCA GALVAO (SILENTIUM GALVANUS); homeopathic drug for apoplexy during soccer matches. No prescription required.", entre outras piadas do gênero. Segundo a versão mais popular, "cala boca" significaria "save", e Galvão, um pássaro em vias de ser extinto, já que suas penas seriam muito usadas durante o carnaval para compor fantasias. Uma outra versão aumenta a história; diz que "Cala Boca Galvão" é o nome do novo single da cantora Lady Gaga, em ritmo latino, em prol da campanha de preservação da espécie "Galvão" (com letra já publicada!) - inclusive com um site americano especulando a respeito. Um vídeo foi feito em prol da campanha, e o Galvao Institute ganhou um Twitter próprio.

Manifestação de apoio à campanha

A brincadeira causou tanto furor que sites como o do jornal espanhol El País e o blog do americano The New York Times tiveram que se pronunciar a respeito, esclarecendo que tudo não passou de uma brincadeira.

Resultado? A expressão figura no topo dos Trending Topics mundiais há quatro dias. E, com o jogo do Brasil mais tarde, tudo leva a crer que mais um boom pode ser esperado. Entre protestos de "Se o Brasil se unisse assim pra algo sério as coisas estariam melhores" e manifestações de orgulho como "A maior piada interna da História; um país inteiro rindo e o mundo sem entender nada", com alguns inclusive solicitando a entrada no Guiness Book, o fenômeno não mostra sinais de diminuir sua popularidade em terras Tupiniquins. E, se depender das histórias inventadas pelos usuários brasileiros, ele ainda vai render muitos comentários.

* A autora deste blog só tem uma opinião a manifestar: Eu já ri muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuito com isso!! :D